Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Primeiras bandas - Punk Brazil

"Acompanhando a Nova Onda musical que surgia principalmente nos EUA e na Grã-Bretanha, a movimentação punk que havia tomado corpo em São Paulo e que se estabelecia na periferia da cidade, já criava uma cena musical, composta basicamente por três bandas que foram o estopim desse novo estilo nessas paragens. Por Ariel "


Primeiras bandas

Ariel

 

"Do centro da cidade veio a AI-5, que era a banda do Sid (Valson) que trampava na Wop Bop e era antenado com as novidades vindas de além-mar que chegavam à loja instalada na Galeria, que ainda não era a do Rock. A banda AI-5 era o punk rock em seu estado musical, estético e debochado, pois além de estarem na última moda européia em termos de visual punk (inclusive o baixista era parecidíssimo com o Sid Vicious, dos Sex Pistols, daí seu apelido), sua música estava inserida na nova proposta musical, que era muito diferente das produções da época. Também tinham uma pegada crítica quanto aos novos ídolos pop, como John Travolta e a roqueira Rita Lee.


Durou de 1978 a 1979 e participou, junto com a banda Restos de Nada, do primeiro show de punk rock em São Paulo, num porão de uma padaria abandonada, no Jardim Colorado, zona leste da capital, promovido por Kid Vinil, um radialista da então rádio Excelsior, que acabou se tornando um dos maiores divulgadores do estilo no Brasil. A música mais conhecida da banda era uma que falava justamente desses novos ídolos que infestavam a mídia. Era o tempo da disco music, com suas discotecas ditando a moda da época e também de uma MPB que se tornava mais pop e descompromissada, ao invés do engajamento de anos anteriores.


O nome AI-5 remetia ao famigerado Ato Institucional nº. 5, criado pela ditadura militar e que consistia principalmente de uma medida para calar os detratores do sistema vigente. Esse nome era pesado demais para a situação do país e mesmo não sendo uma banda com propostas políticas de qualquer espécie, só pelo fato de estarem usando esse nome poderiam sofrer, a qualquer momento, alguma represália do governo militar. Sua música mais conhecida passou a ser “John Travolta”, que apesar de não ter um registro fonográfico decente, ficou como um hino cult do começo do punk no Brasil.

Da Zona Norte da capital paulistana, veio a Restos de Nada, que tinha entre seus integrantes Ariel, Douglas e Clemente, alunos do EETAL (Escola Estadual Tarcisio Álvares Lobo), da V. Carolina, Bairro do Limão. Criada durante a efervescência política da época (1978), buscava no existencialismo uma razão de espantar seus fantasmas e transformar seus medos em atitudes contra o “status quo” imposto pelo regime militar que caçava impiedosamente seus inimigos.


O único membro que não era da escola, mas que frequentemente estava na saída das aulas para encontrar o pessoal que curtia rock, era o Charles, que tinha uma formação musical mais apurada dentro da MPB engajada e que, empolgado com a nova sonoridade do punk rock, decidiu participar dessa nova forma de se fazer rock'n’roll.


O Charles tocava violão e flauta e junto dos amigos, Hamiltom, Mário, Rogério, Procópio, Marcos, Almir, Anita e muitos outros “roqueiros” da região, fazia um som que mesmo não tendo uma sonoridade punk, tinha tudo a ver com o Faça Você Mesmo que direcionou o movimento para uma forma livre de se fazer música. O Douglas tinha uma certa formação musical vinda de seu pai, que tocava acordeon e que o incentivava a tocar um instrumento também, coisa rara nessa época.


O Clemente também já começava a praticar um violão, aproveitando o parceiro que compartilhava desse mesmo gosto e junto com o Charles e os “roqueiros alternativos da Carolina”, passam a integrar um grupo que freqüentava a praça em frente à escola para juntos beber, namorar, fazer um som e, naturalmente, cabular as aulas. Eu fui o único que participava desse grupo que não tocava nenhum instrumento, talvez por uma insistência autoritária paterna em que eu aprendesse a tocar violão, coisa de adolescente rebelde.


Na verdade, a banda começou com um outro vocalista chamado Eder (Babaca) que era punk da Carolina e também estudava no EETAL, mas depois de alguns contratempos com sua falta de musicalidade e insistência da minha parte em mostrar os textos que escrevia, acabei entrando na banda no final de 1978.


A Restos de Nada durou de meados de 1978 ao final de 1980, pois já tínhamos mudado várias vezes de formação e a cena mudando também para pior, com as gangues tornando-se cada dia mais violentas e sem sentido. RDN deixou um grande legado em termos de composição musical, com um diferencial existencialista e revolucionário nas letras e um som mais elaborado musicalmente, sendo referência para as bandas punks que vieram a seguir.


O único registro em vinil só veio a acontecer em 1987, com um LP lançado pela Devil Discos e contando com a formação original de 1978. Da formação original, restavam apenas o Douglas e eu, pois o Clemente já havia abandonado a banda para formar outra, mais próxima das gangues, chamada Condutores de Cadáver, junto com o Callegari e o Nelsinho TecoTeco, da gangue da Carolina, e o Índio, que era da gangue Ostrogodos.

A Condutores de Cadáver nasceu de uma outra tentativa de banda chamada N.A.I. (Nós Acorrentados no Inferno), que durou apenas um show, no EETAL, junto com a primeira formação da Restos de Nada, com o Eder no vocal. Os shows das duas bandas foram um completo desastre e depois disso, resolvem trocar seus integrantes. Após esse som, no final de 1979, a Condutores, que era limitada musicalmente, decidiu recrutar o Clemente que já tocava baixo razoavelmente bem e assim deixou a Restos para integrar a banda do Callegari e do Índio.


Muito diferente da proposta da Restos de Nada, a Condutores preocupava-se mais em chocar a audiência com as performances de seu vocalista e com as letras mais blasfemas do punk rock nacional. No início, as bandas sempre se apresentavam juntas, pois nenhuma tinha aparelhagem suficiente para fazer um show solo.


Acredito que o show mais importante que o Condutores fez foi no Teatro Pulga, no Centro de São Paulo, onde a banda do Kid Vinil, a Verminose, estava se apresentando. Com a chegada da gangue da Carolina, com a formação completa da banda também presente, seria inevitável que tentassem se apresentar e pela pressão exercida pelos punks ali presentes, é óbvio que o Kid cederia seus instrumentos para a apresentação da Condutores de Cadáver.


Outro som memorável foi na PUC em 1980, com todas as gangues de São Paulo presentes. A banda não deixou nenhum registro fonográfico na época, o que foi feito já nos anos 2000, com a gravação de um EP em vinil pela própria banda.


Após o término da banda em 1981, outra se formou e se mantém até hoje, mas essa já é uma outra história..."

SÃO PAULO, PUNKS 1982

 

Grito Suburbano - Olho Seco, Inocentes e Cólera.


"Ariel, 45, é músico punk (participou das bandas Restos de Nada, Desequilíbrio, Inocentes, atualmente na Invasores de Cérebros), anarquista militante dentro do grupo Ação e Anarquia, poeta e editor dos Cadernos da Sarjeta e colecionador de discos raros."

http://www.rockpress.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=2245
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publicado por Ed Punk&Destroy às 12:31
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2 comentários:
De pakistani fashion a 6 de Junho de 2010 às 05:10
Experiment with texture.

Your date might not know the difference between tweed and twill, but that doesn’t mean he won’t appreciate how cute you look in a multitextured style like Diya’s tweedy, beaded and draped outfit.


De Why Shop From Trendy a 6 de Junho de 2010 às 05:10

Show some skin—just not too much!

“It’s fun to show a little leg when going on a date, especially when the weather gets warmer in the spring,” says Joelle. “But it’s good to keep everything else a little more covered up—so I paired a minidress with a soft ruffled cardigan, a black leather jacket and black booties.


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